O presidente Michel Temer afirmou em entrevista exibida nesta quinta-feira (7) pela TV Brasil que é alvo de “esquartejamento político e moral” que busca desmoralizar o governo com “gestos ilegais”.

Temer é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Uma das investigações apura o suposto pagamento de propina na edição do decreto dos portos.

A outra investigação está relacionada ao repasse de R$ 10 milhões da Odebrecht ao MDB, acordado num jantar no Palácio do Jaburu (residência oficial onde Temer mora).

“Outro ponto que você [jornalista] se refere [investigações], digamos, é um certo esquartejamento político e moral que se faz em relação ao presidente da República. Eu lamento dizer que este não é um movimento investigativo. É um movimento político, é uma questão política com vistas a desmoralizar o governo com gestos ilegais”, afirmou.

Durante a entrevista, Temer criticou que “a todo momento” há pedidos de prorrogação das investigações sobre ele.

Para o presidente, as prorrogações dos prazos, autorizadas pelo Supremo, “fogem” do objetivo inicial do inquérito.

“Por que que se pede a prorrogação? Porque o sujeito pesquisa, pesquisa, pesquisa o objeto do inquérito e verifica que não há nada. Então, ele quer pedir uma nova prorrogação e foge do objeto do inquérito”, acrescentou.

Temer disse, em seguida, “lamentar” esse tipo de situação. Isso porque, na visão do presidente, ele é alvo de “violação” do princípio da Constituição que prevê o direito à dignidade.

‘Não admito isso’

Temer também aproveitou a entrevista à emissora pública para dizer que tem sido “vilipendiado” porque “buscam coisas de 1998”, segundo ele, “arquivadas várias vezes”.

De acordo com a colunista do G1 Andréia Sadi, a Polícia Federal informou ao STF ter encontrado indícios de pagamento de R$ 340 mil mensais a Temer no fim da década de 1990 por parte de empresas da área portuária.

“Eu não admito isso e digo mais uma vez: podem repastar-se à vontade. Eu não tenho a menor preocupação com isso. Agora, não pode mais continuar assim”, declarou.

“Isto é insuportável, mas interessante. Isso não paralisa o governo. Estas coisas tentam desmoralizar o governo, mas ao contrário de me desvitalizar, me vitaliza. Por isso que nós continuamos”, concluiu o presidente.

‘Quebrar a cara’

Em outro trecho da entrevista, Temer comentou o pedido, apresentado pela Polícia Federal ao STF, para quebrar o sigilo telefônico dele.

O pedido já foi negado pelo ministro Edson Fachin, relator do caso no Supremo.

“Chegam ao desplante de pedir a quebra do sigilo telefônico. Se quebrar, fique à vontade. Peguem todos telefonemas, verifiquem com o que falei porque eles vão, se me permite a expressão grosseira, quebrar a cara”, completou.

Por Roniara Castilhos e Filipe Matoso, TV Globo e G1, Brasília

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