Rui sugere reforma tributária que taxe mais ricos e CPMF para fiscalizar dinheiro ilícito

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), afirmou nesta segunda-feira (3) ser a favor de uma reforma tributária ampla, na qual os mais ricos paguem mais impostos, em vez do “pobre e da classe média”. Ele também criticou a possibilidade de recriação de uma nova CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) que vise apenas financiar o gasto público.

“A minha posição é a mesma que eu sempre tive: eu sou a favor da reforma tributária no Brasil. Aliás é unanimidade. Se você perguntar entre os políticos, todo mundo é a favor da reforma tributária. Como diz o ditado, o problema está nos detalhes. Cada um tem a sua reforma tributária. O Brasil se caracteriza como um dos países do mundo que têm uma forma de cobrar imposto mais injusta do mundo. Por que mais injusta? Porque aqui, no Brasil, se cobra imposto dos pobres e da classe média. Os ricos pagam pouco imposto. É como se fosse Robin Hood ao contrário: aqui se tira dos pobres pra se dar aos ricos”, avaliou o governador, durante evento no qual entregou moradias a famílias de baixa renda no bairro do Costa Azul.

Entregue ao Congresso Nacional no fim de junho, a primeira parte da proposta de reforma tributária do governo Bolsonaro prevê a substituição do PIS e da Cofins por um imposto único sobre bens e serviços, com alíquota de 12%, chamado de CBS (Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços). A proposição não reduz nem aumenta a carga tributária, apenas simplifica a cobrança. A criação da “nova CPMF”, que deve substituir as contribuições das empresas sobre a folha de pagamentos, ficará para depois.

Quanto a um novo CPMF, o chefe do Executivo estadual sugere que, se ressuscitado, o tributo seja utilizado como uma ferramenta contra o crime organizado.

“Eu reconheço a finalidade de um tributo assim, com [alíquota de] 0,001% como uma forma de fiscalizar o crime organizado. No crime organizado, ninguém guarda hoje milhões de baixo do coleção, com raras exceções. Mesmo traficante, contrabandista, criminoso, utiliza o sistema financeiro para poder guardar esse dinheiro. E, se o Estado tem 0,001% apenas como uma forma de controlar a movimentação financeira das pessoas, da sociedade, isso permite uma ferramenta de controle para evitar evasão fiscal, tráfico de drogas, contrabando”, disse.

“Cobrar 0,001% a mais, sem mudar nada, eu sou contra.”

Fonte: bahia.ba