Título: Lula diz que reenviará indicação de Jorge Messias ao STF

A fala ocorreu após vaias da plateia ao senador Laércio Oliveira (PP)

Título: Lula diz que reenviará indicação de Jorge Messias ao STF

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (29) que pretende indicar novamente o advogado-geral da União, Jorge Messias, para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração foi feita durante anúncio de investimentos da Petrobras em Sergipe.

Ao comentar a rejeição do nome de Messias pelo Senado Federal, Lula afirmou que a derrota ocorreu por motivos políticos. A articulação contra a indicação teria sido conduzida pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil).

“Eu perdi a indicação do meu ministro da Suprema Corte e eu fiquei triste porque ele não foi derrotado por incompetência jurídica, porque é um dos melhores advogados desse país, ele não foi derrotado porque ele tem alguma ficha suja na vida dele, é um dos homens mais íntegros desse país. Ele foi derrotado por uma questão simplesmente política. E o que vai acontecer, senadores? Eu vou mandar o Messias outra vez”, declarou o presidente.

A fala ocorreu após vaias da plateia ao senador Laércio Oliveira (PP), que participou do evento ao lado de Lula. O presidente repreendeu a reação do público e ressaltou a necessidade de diálogo político para garantir a governabilidade.

Segundo Lula, o PT possui minoria no Congresso Nacional e, por isso, precisa manter interlocução com diferentes partidos, inclusive adversários políticos, para aprovar projetos de interesse do governo federal.

“É preciso não confundir a disputa eleitoral com a governança. Na governança, eu preciso dos amigos, dos meio-amigos e dos inimigos. Quando o projeto é de interesse brasileiro, eu não tenho vergonha de conversar com nenhum político”, afirmou.

Entenda

O Senado rejeitou no dia 29 de abril a indicação de Jorge Messias. Por 42 votos a 34, a Casa Alta derrubou a escolha de Lula e encerrou um impasse que se arrastava havia cinco meses.

A derrota é histórica. Desde 1894, o Senado não rejeitava um nome indicado ao Supremo. Em 132 anos, a Casa havia barrado apenas cinco indicações ao STF todas durante o governo de Floriano Peixoto (1891-1894). O tribunal já teve 172 ministros.

A votação no plenário foi realizada após oito horas de sabatina na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), onde Messias havia sido aprovado por 16 votos a 11. O caráter secreto do escrutínio gerou incerteza até o fim: o governo calculava ter o apoio de 45 senadores, enquanto integrantes da oposição afirmavam contar com ao menos 30 votos contrários.